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Unidos da Ponte: o tamborzão que desafia preconceitos e celebra a cultura black

A Unidos da Ponte não vem para falar "apenas de funk". Ela vem para mostrar que o "Tamborzão" é um universo de sons, cores e histórias, um manifesto cultural que reivindica seu espaço.

CRÔNICA

Igor Schulenburg

1/29/2026

Quem se aventura a julgar o enredo da Unidos da Ponte para o Carnaval de 2026, "Tamborzão – O Rio é baile! O poder é black!", como uma mera homenagem ao funk, corre o risco de perder a batida mais profunda e pulsante que a escola de São João de Meriti promete levar à Sapucaí. Longe de ser uma simplificação, o "Tamborzão" é um convite a uma imersão na riqueza e na potência da cultura negra e periférica, um grito de celebração que ecoa muito além das caixas de som dos bailes.

O diretor de carnaval, Camarão Netto, explicou o conceito do enredo, que une funk, soul e lundu, ressaltando a importância do tambor como raiz da cultura preta e do samba. "O nosso enredo traz o funk, o soul e o lundu, toda a raiz do tambor. O funk tem origem afro, e o nosso enredo vai trazer um pouco de cada gênero. É um ritmo que não deixa ninguém parado, como diz o nosso refrão. A cultura preta é de onde vêm o nosso samba, o funk, a raiz e a essência. O tamborzão é um poder que a gente não consegue estimar. Ele é muito importante para a cultura do samba, para a cultura preta e para a cultura do nosso país", afirmou em entrevista ao Nosso Carnaval.

Essa celebração não se restringe a um único ritmo, mas abraça a multiplicidade de manifestações que brotam das comunidades, do jongo ao charme, do samba ao funk, todos unidos pela força ancestral do tambor. O tambor, afinal, é o coração da negritude, o elo que conecta gerações, o instrumento que convoca à dança, à resistência e à festa.

A comunidade de São João de Meriti, berço da Unidos da Ponte, abraçou a ideia com um entusiasmo contagioso. A quadra da escola tem sido palco de ensaios e eventos que transbordam a energia do "Tamborzão", com a participação ativa de moradores e artistas locais. É a prova viva de que o enredo não é apenas um tema a ser cantado, mas uma identidade a ser vivida, um espelho que reflete a alma de um povo que encontra na arte e na música sua voz e sua força.

A escolha do samba-enredo, que culminou na vitória da parceria de Dudu da Ponte, Jefinho, Marquinho do Pandeiro, Rafael Gigante, Serginho Castro, Betinho e Léo da Taberna, foi marcada por uma junção histórica. As parcerias de Serginho Aguiar e Chacal do Sax uniram forças na grande final, resultando no samba que agora embalará a escola na Sapucaí, conforme noticiado pelo Carnavalesco. Essa união de talentos reforça a mensagem de coletividade e a força da comunidade. A melodia e a letra, que já caíram no gosto da comunidade, prometem traduzir em versos e acordes a grandiosidade do "Tamborzão", convidando a todos a se deixarem levar por essa onda de ritmo e representatividade.

Portanto, que ninguém se engane. A Unidos da Ponte não vem para falar "apenas de funk". Ela vem para mostrar que o "Tamborzão" é um universo de sons, cores e histórias, um manifesto cultural que reivindica seu espaço e celebra a beleza e a resiliência da cultura black. É um enredo que promete sacudir a Sapucaí e, mais importante, sacudir consciências, provando que a batida da Ponte é, antes de tudo, a batida da alma carioca, negra e periférica.